Relatos de Experiência

Conheça aqui a prática de professores no ensino do Teatro na educação básica! Compartilhe também a sua prática. Conte como foi realizado o seu trabalho em sala de aula de forma simples e didática e sirva de inspiração para outros professores.

 

Produção textual e encenação com base em histórias infantis

Escrito por Ângela do Céo Gonzaga de Vasconcelos
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Escola: Escola de Ensino Fundamental e Médio Tenente Rêgo Barros
Rede: Pública de Ensino
Cidade: Belém/ Pará
Nível de Ensino: Ensino Fundamental II
Contato: angelaatriz@yahoo.com.br

Esta atividade foi considerada como sendo um relevante incentivo para que o aluno lesse diversas histórias clássicas infantis, contos diversos, histórias bíblicas e crônicas, com a finalidade de buscar inspiração para construir esquetes teatrais, com as características básicas de uma peça de teatro, utilizando-se da criação de diálogo com rubricas, numa sequência lógica e criativa.

A ideia surgiu por eu observar, ao longo de minha vida profissional, que, em inúmeras situações, o aluno acaba sendo um mero e lacônico receptador de conhecimento. O importante foi que o aluno saísse da situação de um mero ser robotizado, que apenas imita sem criar.

A relevância da mesma é que o discente saiba o real valor da mímesis e possa desenvolver os aspectos da produção teatral baseando-se na realidade, com a finalidade de recriá-la. E mais: utilizando-se das diversas linguagens, a fim de enriquecer o Teatro, como a arte de interpretar.

A ideia foi planejada de forma a fazer com que o aluno pudesse ver as aulas de Teatro como um momento lúdico, em que ele lê, se diverte, conversa com colegas, troca experiências, pensa, trabalha a mímeses e recria a realidade, escrevendo e encenando o texto produzido. Isto eleva a autoestima do discente. Ele não somente será ator de Teatro, mas será, também, um escritor na área da Dramaturgia.

As etapas foram as seguintes:

 1- Apresentando o Projeto;

2- Conhecendo as histórias;

3- Eleição individual do livro preferido;

4- Divisão da turma em equipes;

5- Transformando a história narrativa do livro preferido em esquete teatral;

6- Leitura individual do texto produzido;

7- Eleição do Texto Vencedor;

8- Premiação do aluno que compôs o texto vencedor (1,0 pt. na disciplina);

10- Ensaios em equipes da esquete teatral escolhida;

11- Apresentação das esquetes teatrais (com figurino, maquiagem, adereços, etc).

Obs.: O tempo de duração desta tarefa equivaleu a 4 aulas. Cada aula possui 45 minutos, equivalendo a 180 minutos, portanto.

A realidade sócio-cultural da Escola Tenente Rêgo Barros é uma das melhores. A escola é militar e conta com uma Direção, Coordenação, Professores e funcionários comprometidos com a arte e cultura. Possui excelentes instalações, dando ao alunado condições para produzir, num ambiente acolhedor.

Foram 1O as turmas envolvidas de 6º e 7º ano do Ensino Fundamental II.

 

Objetivos de Aprendizagem com os alunos:

 01- Conhecer diversos textos narrativos, como contos clássicos, histórias bíblicas, contos literários e crônicas;

02- Distinguir Texto Narrativo de Texto Teatral;

03- Diferenciar o Gênero Dramático de outros gêneros (Lírico e Épico);

04- Ler, compreender e interpretar textos;

05- Escrever esquetes teatrais;

06- Criar texto de dramaturgia, com rubricas;

07- Valorizar a leitura e a produção textual;

07- Encenar uma peça teatral, interpretando personagens;

08- Criar figurino e maquiagem teatral.

 

Processo

 As etapas e o passo a passo do trabalho foram os seguintes:

1-As aulas foram previamente preparadas em fichas didáticas, nas quais foram registrados os objetivos, a metodologia e o conteúdo a ser ministrado.

2-A ideia foi apresentada aos alunos de forma expositiva, conscientizando-os da relevância da leitura, da ludicidade da atividade, fazendo com que eles percebessem o quanto a tarefa lhes traria diversão, conhecimento, cultura e crescimento profissional. 

3-Para o desenvolvimento das atividades, em sala de aula, necessitamos de 4 aulas.

4- Em relação aos exercícios teatrais realizamos leitura dramatizada, trabalhando a dicção, criação de diferentes vozes e inflexões verbais, assim como a construção de expressões fisionômicas e corporais variadas.

5- Os recursos didáticos utilizados foram os seguintes: livros de histórias, cadernos, canetas, lápis, maquiagem, figurinos diversos, perucas, adereços, aparelhos de som, caixas de músicas, CDS, Datashow.

6- A recepção foi espetacular! Os alunos tinham interesse em apresentar, de fato, um espetáculo teatral. E, no dia das apresentações, havia alunos de outras turmas e até familiares dos Alunos-atores que solicitaram fazer parte da plateia, para prestigiar o nosso trabalho. Todos sentiram-se muito animados e felizes por poder demonstrar um comprometimento com a arte e o talento que possuíam para escrever texto teatral e interpretar personagens. 

 

Algumas observações sobre o passo a passo:

A- O chão da sala de aula foi varrido e limpinho;

B- Eu, a professora, levei para a sala de aula diversos livros de histórias clássicas infantis, contos de diversos autores, histórias bíblicas e crônicas (Como por exemplo: “João e Maria”, “Alice no País das Maravilhas”, “Branca de Neve e os sete anões”, “A Cinderela”, “A Pequena Sereia”, “José do Egito”, “Moisés”, “O Dilúvio”, “A última crônica”, etc.).

Obs. “1”: O número de livros foi bem superior ao número de alunos, para que eles pudessem efetivar a escolha.

Obs. “2”: O Professor pode sugerir, na aula anterior, que cada aluno leve um livro à sala de aula, para aumentar a variedade.

C- Eu, a Professora, apresentei os livros aos alunos e os espalhei em um cantinho sugestivo, no chão da sala de aula. 

D- Cada aluno escolheu um livro e leu, em sala de aula. Eles escolheram um cantinho para ler. No chão, ou em suas carteiras. Depois, ao fim da leitura, trocaram de livro uns com os outros e todos acabaram lendo vários livros.

E- Em seguida, os alunos dividiram-se em equipes de 3 a 5 pessoas.

F- Cada aluno escolheu um livro preferido e transformou este texto narrativo em uma esquete teatral, com base nas características do gênero Dramático, as quais previamente já conheceram, de acordo com os ensinamentos de sua professora. O texto produzido teve o número de personagens igual ao número de participantes da equipe.

G- Ao final, cada aluno de cada equipe leu o texto para a classe e a equipe votou, escolhendo o texto mais interessante. Em caso de empate, a classe e a professora fizeram nova votação para desempatar.

H- O autor do melhor texto foi premiado pela Professora com uma pontuação a mais (Fica a critério de cada professor. Usei este recurso para motivá-los.).

I- O melhor texto foi encenado pela equipe (com figurino, maquiagem, adereços, etc.).

 

Cada etapa do trabalho foi realizada de maneira tranquila e gradual, numa sequência cronológica adequada, em que o aluno não se preocupou em executar as atividades com pressa, e sim com a qualidade do fazer teatral.

Para que os alunos avançassem utilizei, primeiramente, a aula expositiva para dar-lhes embasamento. Mostrei-lhes, na prática, algumas esquetes teatrais criadas por mim, com base em crônicas e histórias infantis tradicionais.

Apresentei a ideia aos alunos, incentivando-os e desafiando-os a descobrir os possíveis talentos para atuarem como escritores e atores de Teatro.

As aulas foram preparadas com base no conteúdo, o qual já estava sendo ministrado, na Escola Tenente Rêgo Barros.

Usamos 4 aulas, de 45 minutos cada, para o cumprimento desta atividade.

Os métodos teatrais utilizados foram os seguintes: “Ensino Modernista de Teatro”, que consiste em dar ênfase na expressividade individual e coletiva dos enunciados cênicos dos alunos; “Método da Viola Spolin”, que se caracteriza na atividade ludica pedagógica.

Os recursos didáticos utilizados foram os seguintes: Quadro magnético, canetas para quadro magnético, livros diversos, caderno, caneta, corpo e voz, cds, aparelhos de som.

A questão espacial influenciou positivamente a prática, haja vista que o ambiente da sala de aula era limpo, acolhedor, amplo, arejado, possibilitando conforto e inspiração aos participantes.

O envolvimento dos alunos foi excelente porque a ludicidade é sempre bem-vinda, no contexto escolar, e os alunos valorizam o mundo da imaginação, o faz de conta e a arte, de modo geral.

 

Os resultados

 Os resultados foram os seguintes:

a-Os alunos produziram esquetes teatrais;

b-Cada esquete teatral escolhida como a vencedora de cada equipe foi encenada pela equipe com maestria.

 (Obs.: As esquetes teatrais escolhidas como as “vencedoras”  venceram com base nos seguintes critérios: criatividade, fidelidade às características do gênero dramático, coesão e coerência linguísticas.).

Tivemos, assim, excelentes apresentações de peças teatrais, em sala de aula, com textos criados pelos alunos.

 

Avaliação:

 Os alunos aprenderam a interpretar textos, a escrever esquetes teatrais e a interpretar personagens, através da encenação de esquetes teatrais.

Para acompanhar o progresso dos alunos, utilizei os critérios da observação e da avaliação do estudante como um ser participativo, criativo e atuante.

Os instrumentos foram a análise dos textos escritos e a avaliação da expressividade, da voz, da dicção e da criatividade, no momento da interpretação do personagem.

 

Refletindo sobre o seu trabalho:

Avalio a atividade como satisfatória, com resultado excelente, porque ficou clara a satisfação dos discentes em participar das atividades.

A escola como um todo tomou conhecimento e aprovou o trabalho. Alguns profissionais assistiram às apresentações ao vivo. Outros assistiram-nas pelo telão,  haja vista que filmamos algumas esquetes e expusemo-las, no pátio da Escola, em um momento cultural denominado Expoarte.

Tudo o que foi planejado foi executado com maestria e satisfação.

As avaliações foram feitas de maneira clara e objetiva:

-O trabalho de produção de texto valia 1,0 pt. e, após a apresentação da leitura de cada texto, a professora, imediatamente, atribuía ao aluno uma nota de zero a 1,0 pt. obedecendo aos seguintes critérios: criatividade, fidelidade às características do gênero dramático, coesão e coerência linguísticas.

-Após cada equipe apresentar o seu trabalho na dramatização teatral das esquetes, a professora avaliava os alunos, um por um, e atribuía-lhes a nota, da seguinte maneira:

a- O figurino valia 1,0 pt. e poderia ser construído com elementos que o aluno já possuísse em sua casa, sem necessitar comprar. A criatividade era uma elemento importante, nessa construção.

b- A maquiagem valia 1,0 pt. e o aluno poderia criar livremente.

c- A interpretação valia 2,0 pts e o aluno era avaliado levando em consideração os seguintes aspectos: expressividade corporal e fisionômica, inflexões de voz, dicção.

O trabalho como um todo valia 5,0 pts.

A experiência ampliou o repertório artístico e cultural dos alunos haja vista que eles leram muitos livros diferentes e ouviram a leitura de inúmeros textos teatrais, com base em diferentes histórias infantis, contos clássicos, histórias bíblicas e crônicas literárias. Além disso, aprenderam a produzir textos.

A Direção da Escola apoiou o trabalho, oferecendo espaço para ensaios, para as apresentações, assim como materiais e recursos didáticos.

Houve interação com outros professores. Por exemplo, o Professor de Música, ajudou algumas equipes, ensinando-lhes a tocar música na flauta e este recurso foi usado para gerar a sonoplastia, durante as apresentações.

O aproveitamento deles ficou completamente evidente, em relação à leitura, compreensão, produção de texto, à interpretação de personagens e a todo o fazer teatral.

Houve dificuldades, como a falta de criatividade de alguns e a inibição, na hora de ler o texto ou interpretar o personagem. Todavia, através dos jogos da Viola Spollin, os alunos puderam liberar a criatividade e a desinibição.

 

Referência Bibliográfica:

ARAUJO, Hilton Carlos de. Artes Cênicas: Introdução à Interpretação Teatral. Rio de Janeiro, Agir, 1986.

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DOMINGUEZ, José Antonio. Cartilhas de Teatro – Teatro e Educação, uma pesquisa. Rio de Janeiro, Serviço Nacional de Teatro, 1978.

GUINSBURG, J.; FARIA, João Roberto; LIMA, Mariangela Alves. Dicionário do Teatro Brasileiro – Temas, Formas e Conceitos. Perspectiva, São Paulo, 2006.

JAPIASSU, Ricardo. Metodologia do Ensino de Teatro. Campinas-SP.,Papirus Editora, 2008.

MACHADO, Maria Clara. A Aventura do Teatro. Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1988.

SPOLIN, Viola. Improvisação para o Teatro. São Paulo, Perspectiva, 1992.

SPOLIN, Viola. Jogos teatrais: O fichário de Viola Spolin. Tradução de Ingrid Dormien Koudela. São Paulo, Perspectiva, 2001.

SPOLIN, Viola. O Jogo Teatral no Livro do Diretor. São Paulo, Perspectiva, 2001.

TOURINHO, Nazareno. Peças Teatrais de Nazareno Tourinho (Bene Martins, organizadora). Belém-Pa, Ed. Cejup, 2014.

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