Relatos de Experiência

Conheça aqui a prática de professores no ensino do Teatro na educação básica! Compartilhe também a sua prática. Conte como foi realizado o seu trabalho em sala de aula de forma simples e didática e sirva de inspiração para outros professores.

 

Surgiu a ideia e motivou o professor

Escrito por Leonardo Gomes Gualberto
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Escola: Escola Municipal Ozório Aleixo da Silva
Cidade: Betim - MG
Nível de Ensino: Ensino Fundamental - 6º ao 9º ano
Contato: leonardogualberto@yahoo.com.br

APRESENTAÇÃO:

A ideia surgiu ao fazer a inscrição no Mais Educação do Mec para Educação Integral, onde havia o teatro como opção de oficina na escola. No início houve muita resistência dos alunos adolescentes, falas que demonstravam que se sentiam expostos quando se tratava do teatro. O projeto inicial era desenvolver trabalhos corporais com as crianças de 06 a 09 anos. Com o passar do tempo percebi que os Adolescentes estavam esquecidos dentro da escola e que tinham muito potencial para atividades cênicas. Era comprovada uma carência muito grande dos alunos por serem alunos de periferia e com a estrutura familiar comprometida.

 

OBJETIVOS:

Um dos objetivos, sendo bem amplo, era proporcionar aos alunos da escola pública, numa região de periferia, o contato com a arte na forma de teatro, o que até então eles não conheciam e não fazia parte da sua realidade. Tinha como objetivo trabalhar algumas deficiências que foram identificadas:

Leitura e interpretação

Dicção

Postura corporal, conhecimento corporal e noção de espaço

Percebi que eram adolescentes antagonistas de suas próprias vidas.

O PROCESSO:

Os alunos inicialmente tinham muito preconceito, por ser uma arte totalmente distante da sua realidade cotidiana. Muitos ou quase todos nunca haviam ido a um teatro. E no princípio, era apenas uma oficina como as outras que eles faziam de dança, natação ou futebol. Mas, com o passar dos meses, um grupo menor, com mais ou menos 12 alunos entre meninos e meninas, começou a tomar gosto pela atividade. Se identificaram muito com o professor, que com muito afeto e verdade no que fazia, foi conquistando, dando confiança e elevando a auto estima desses alunos. E fomos procurando oportunidades para que eles pudessem se apresentar, pois esperavam por isso. E isso foi surgindo, apresentando em uma escola e outra, em aberturas de encontros na educação, em locais do próprio bairro onde moravam, e até chegar a participar do FETO BH.

Sentimos que estavam maduros, que se encontraram como pessoas, e não mais somente como alunos, que é o que normalmente a escola esperava deles. Tinham percebido que há lugar no mundo para todos, que se não tinham habilidade para o português ou matemática ou a história na escola, que podiam ser tudo isso de outra forma, em outro lugar, identificando outras habilidades que também os faziam se sentir gente. Víamos que aqueles alunos que muitas vezes estavam dentro da sala de aula, no horário regular, se sentindo desinteressados, apáticos, desmotivados, indisciplinados quando estavam ensaiando ou nos palcos se apresentando, se encontravam consigo mesmo e isso os fazia feliz. Não será esse o papel da arte, o autoconhecimento, o encontro consigo mesmo? E por que não ser esse também o papel da escola, além de instruir e transmitir conhecimentos?

A preparação do plano de aula foi vinculada com a realidade local. Tive que fazer com que as aulas parecessem brincadeiras para conseguir a atenção dos alunos. Tivemos encontros onde apresentei as atividades dando ideia de que era uma brincadeira divertida e dinâmica onde eles se sentiriam bem.

O projeto foi desenvolvido em um ano com aulas as terças e quintas, no primeiro semestre focado nos jogos teatrais da Viola Spolin e nas técnicas do Teatro do Oprimido de Augusto Boal (Jogos para atores e não atores). No segundo semestre a aplicação dos jogos e Técnicas em uma montagem teatral.

No início houve uma certa recusa uma vez que se sentiram expostos com os professores anteriores (relato dos alunos). Com o tempo houve uma aproximação muito grande com os alunos, que despertou a curiosidade deles em conhecer mais e a fazer mais.

Ao final deste primeiro ano tínhamos um produto cultural intitulado: “O Auto do Boi”

espetáculo que viajamos e participamos de um festival nacional de teatro e um festival estudantil.

 

REFLETINDO SOBRE O TRABALHO:

Foi um trabalho e tanto!!! Nunca havia presenciado uma transformação tão rápida e tão profunda nas pessoas, e principalmente em adolescentes. Acredito que a arte faça milagres, que encurta caminhos e mostra mais rápido o valor do reconhecimento. Como é importante alguém acreditar e se esse alguém for nós mesmos, ninguém mais é capaz de duvidar!

Conseguimos desenvolver um trabalho de uma beleza e simplicidade muito grande, transformamos adolescentes antagonistas em protagonistas de uma comunidade que se mostrava culturalmente vazia. Ao término do trabalho conseguia ver sonhos e esperança de ser melhor nos olhos daqueles adolescentes que conheci por acaso em uma tarde esquecida no tempo.

Com o passar do tempo o trabalho já havia tomado proporções muito maiores do que desejávamos e tínhamos a escola, a prefeitura e a comunidade envolvidas e se empenhando para o desenvolvimento do projeto.

Sim, e fomos além...

Temos Alunos que não tinham perspectiva de vida em cursos técnicos, preocupados com o futuro.

Alunos fazendo Música, alunos Fazendo dança e até um que fez testes para cinema.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

JOGOS PARA ATORES E NÃO ATORES / TEATRO DO OPRIMIDO - AUGUSTO BOAL

JOGOS TEATRAIS NA SALA DE AULA UM MANUAL PARA O PROFESSOR - VIOLA SPOLIN

 

 
 
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